segunda-feira, 11 de maio de 2009

Desalinhados (Parte 4)


Penso que é altura de deixar de falar nos relacionamentos e começar a abordar o tema emprego. Este é para mim, sem dúvida, um dos temas mais desalinhados numa grande percentagem de pessoas com vida profissional activa.
A razão deste pragmatismo tem a ver com o grande número de individuos que "queimou as pestanas" durante um curso superior e que agora se encontra no desemprego ou a executar tarefas completamente distintas da sua preparação académica, mas existem outros motivos para este desalinhamento, o cansaço de anos de profissão ou a evolução negativa da profissão desempenhada.
Durante a frequência do curso de Biologia na FCUL, existia uma certa rivalidade com os colegas de Geologia, uma vez que estes eram considerados por nós (projectos de biólogos), os parentes mais pobres do C2. E lembro-me que nessa altura no nosso Departamento "corria" uma piada sobre geólogos. A mesma era formulada através de uma interrogação ... o que é que um geólogo desempregado diz para um geólogo empregado? Resposta: um Big Mac por favor! Já estão a ver o que se pensava das saídas profissionais dos geólogos, infelizmente, neste momento a piada também pode ser adaptada aos biólogos e à maior parte das categorias profissionais.
O meu caso enquadra-se no desgaste profissional, possuo 2 licenciaturas (Enfermagem e Biologia) e ao longo dos últimos anos tenho-me sentido dividido entre o exercício da Enfermagem e a docência na área das Ciências da Terra e da Vida. Para mim, enfermagem é relação de ajuda, enquanto docência é orientação e transmissão de conhecimentos. Divido-me entre 2 amores, recompensadores, mas ao mesmo tempo, muito desgastantes. São ambas profissões de entrega, mas em que o esforço colocado ao serviço dos outros, nem sempre é reconhecido. E apesar de se estar nestas profissões com altruismo, em espírito de missão, ao final de alguns anos, o cansaço começa a fazer algumas brechas na parede da disponibilidade.
Neste momento, exerço enfermagem, não tendo relação com a docência. Talvez pelos anos que já levo de exercício nesta profissão, sinto-me cansado e por vezes, penso que um ano sabático seria proveitoso para tentar encontrar um novo rumo, quem sabe, mais alinhado com a minha forma de ser e estar.
Hoje, permito que William Shakespeare termine o post ... "o trabalho agradável é o remédio da canseira".

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