sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desalinhados (Parte 2)


Mais um post a abordar o tema desenvolvido anteriormente (desalinhados no casamento/relacionamento).
Com uma certa frequência, escuto desabafos de amigos a dizer que são controlados pelo outro elemento do par. Não existe privacidade. Se o telemóvel dá sinal de mensagem ou toca, há uma obsessiva vontade do outro em saber quem é o emissor nesse processo de comunicação. E quando podem, por vezes às escondidas, noutras vezes com uma "lata" desgraçada em perfeita claridade, espreitam à procura de uma possível traição. Quem fala dos telemóveis, aborda também a internet, ter um blog, e-mail ou o perfil no HI5, é motivo para os inquisidores condenarem à fogueira, sem necessidade de julgamento.
Pergunto-me, será isto Amor? Felizes dos nossos pais que viveram a sua juventude, sem a possibilidade de serem internautas ou utilizarem meios móveis de comunicação. Resumindo, e de uma forma jocosa, o progresso, é a grande causa dos relacionamentos falhados.
A base de qualquer relação, é para mim, a confiança. É impossível estar num relacionamento big brotheriano, em que não existe a hipótese de ter momentos a sós com a nossa pessoa. É preciso espaço para se poder respirar convenientemente e também não ter a sensação que estão sempre, sempre, sempre a respirar por cima de nós.
Confiança, facultar ao outro o seu espaço, cumplicidade, companheirismo, são alguns dos ingredientes para que o 1 + 1 se possa realizar.
Não há verdades absolutas, mas já Ovídio no I Séc. DC, dizia na sua "Arte de Amar" ... "se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada".

2 comentários:

  1. Enquanto lia este post só me lembrava de um excerto lindo de Nuno Júdice, que encontrei no blog circum-viagem, dizia assim:
    "É verdade que te podia dizer: como é fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos apenas dentro de nós próprios?"
    Mas ensinaste-me a sermos dois e a ser contigo aquilo que sou, até sermos um apenas no amor que nos une contra a solidão que nos divide."
    In Pedro, Lembrando Inês

    Aqui fala do equilibrio possível de numa relação de amor existir espaço para as pessoas na sua singularidade...

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  2. Bem...eu não sou certamente a pessoa mais indicada para se pronunciar sobre este assunto,visto ainda não ser casada,como devem ser os casos a que se refere.
    Permita-me no entanto que também lhe fale do outro lado da questão.A confiança deve imperar sobre qualquer relação(mesmo entre pais e filhos...)contudo,o "outro",aquele em devemos confiar,também deve mostrar que não devemos desconfiar e dialogar com o companheiro quando acha que algo está mal,e não ir se queixar ao amigo da sua infelicidade.Assim também não deve mostrar incomodo quando se abordam assuntos como sites,mensagens...
    Ciúmes não são maus,podem significar afecto,ou significar controle,falta de auto-estima,insegurança...mas depende da leitura e dos comportamentos de cada um.Não podemos estar casados e achar que a outra pessoa não nos pode exigir algumas mudanças de atitude,temos que saber equilibrar os pratos na balança,é por isso que os casamentos falham...as pessoas,não procuram realmente que ele se preserve..se falhou por algum motivo...ok falhará sempre...vamos logo é acabar com o compromisso...:)
    Vou seguir o blog com atenção.
    Bom fim-de-semana!

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